A_aranha_narradora A_cobra_narradora

 


A aranha narradora

 

    No mundo da bicharada, Zilda, cobra traiçoeira e preguiçosa, não tem amigos. Dorme o tempo todo e até hoje não sabe quantas patas têm uma aranha.

    Um dia, Zilda disse ser o terror dos bichos e conversa vai, conversa vem, tornou-se minha amiga.
    No início desconfiei, mas como tudo pode acontecer...

  Depois de alguns dias, o calor estava insuportável e, como não via Zilda, resolvi visitá-la. Subia devagar, pois poderia estar dormindo. Olhando para Zilda, achei-a estranha, pálida, que me apavorei, então, gritei: - Zildaaaaaaa!

  Com meu barulho, Zilda se assustou e disse estar com muita fome... Para disfarçar, perguntei quantas patas eu tinha pois todos os bichos sabiam o total de patas de uma aranha. Então, ela começou um, dois, três... e foi que ao vir com um bote para meu lado senti um vento estranho que me jogou do galho, mas graças a minha rapidez me salvei enquanto Zilda se esborrachou ao chão.

     Nem sempre os frágeis são idiotas.

 

 

 A cobra narradora

Certo dia, despedi-me dos animais e fui fazer um passeio. Depois de longas rastejadas, resolvi descansar num galho de árvore.

    Farofina, uma aranha que passeava por aí, ao me ver, pensou em me acordar. Ela foi chegando devagarinho e cumprimentou-me. E eu respondi:

- Se você quiser, zzz, vai ter que vir mais perto. Quero dar-lhe um forte abraço.

     A aranha me respondeu com tom afirmativo. Então, esperei ansiosa, mas achei-a tão lerda que fui encontrá-la quando a sorte não estava do meu lado.

     Farofina conseguiu me enganar ao se desviar,  deixando que eu espatifasse ao  chão.

     Nem sempre os fortes são espertos.

Lídia Cristina Gonçalez Pires


 

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