E-CRETINISMO

Vivemos o modernismo, o pós-modernismo e o "fim da história"(sic). O mundo está passando de um para outro milênio e não acabou nem há sinais suficientes para esperar o Apocalipse já. Assistimos a revolução tecnológica e a ampliação do universo conhecido e os extraterrestres, desconhecidos e mitológicos, marcianos e/ou alienígenas, não invadiram o planeta. Ficamos assustados com a barbárie das guerras e das ditaduras, descobrindo que a paz possível será a do pós-Amargedon. Avançamos no medo, na hipocrisia, no automatismo humano e na exploração legal e ilegal de uns sobre os outros.

Aprendemos a alterar fatos, fotos, textos, documentos e até a estética física com danças, exercícios, extrações de ossos, enxertos de músculos e já está em jogo o sonho nazista da clonagem humana. Progredimos no eclético, no estúpido, no espectro, no êxtase de espectador e no estupro. Conseguimos, mesmo sem identidade, ser heróis ou animais, ou qualquer coisa produzida pela mídia, quer por interesse dela, quer por vontade imprópria.

Soubemos como nunca o quanto a humanidade caminha esmagando a si mesma, fazendo tudo por dinheiro e por poder tendo como desculpa a etnia, a religião, o território, a democracia e, até mesmo, os direitos humanos. Amargamos o gosto da descoberta da globalização que empobrece regiões rapidamente e causa falências dos Golias, tornando a miséria um espetáculo itinerante.

Deparamo-nos com o nosso pó corroído e puído por vírus cada vez mais resistentes e letais. Assistimos o instinto assassino apoderar-se das crianças. Ganhamos a insegurança intempestiva, atemporal ou, trocando em miúdos, o inseguro permanente de vida. Não apostamos mais no socialismo, no capitalismo, na democracia e, muito menos, na revolução. Em crise, um anjo avisou quem somos: cretinos e usurpadores do paraíso prometido. Não faltou aviso de um sábio e profeta de que nem tudo estava perdido, no entanto ele não agiu para impedir e, sim, previu que o cenário teria que ser criado mesmo da forma como está sendo: a época não de ETS, no entanto de ECS, ou seja, extra-cretinos, simulacros ou realidades virtuais incapazes de ser indivíduos, mas sim cretinos por si mesmos.

A humanidade, capaz até de produzir duas datas para finalizar um século, certamente que caminha para seu apocalipse. No entanto, enquanto ele não tem data certa, poder-se-á ir vivendo na era do mais que cretino - fundindo-se chips e cérebros - como um e-business, parte de um e-commerce, previsto em um e-book no limiar do século do e-cretinismo.

Max Giorgi


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