CLÁSSICOS DO CINEMA
PANELA VÉIA É QUE FAZ COMIDA BOA
É muito comum aquele tipo de consumidor de vídeo que se deixa enganar facilmente por capas coloridas e lançamentos anunciados com fervor pelos vendedores. O próprio que vos fala era um desses personagens ávidos por filmes novos, invariavelmente convencido pelas “boas” indicações do rapaz da locadora, e quase sempre arrependido pelos filminhos que não valiam a grana gasta.
Então me ocorreu um afastamento do vídeo motivado pela mesmice. Achava
que já tinha visto tudo de bom, nada mais me impressionava, esperava sempre
ansioso por uma míngua de lançamentos decentes, que raramente correspondiam às
expectativas. Eu, que no início da adolescência, passava dias, trancado, vendo
tudo que colocavam em minha mão, chegava a duas possíveis conclusões: Ou não há
mais nada de novo no mundo do cinema, ou o pessoal da locadora estava me
assessorando mal... Bem, hoje acho que as duas opções estavam corretas.
Mais ou menos aos quinze anos, comecei a associar minhas duas grandes
paixões – música e cinema – a um sentimento
em comum, de que tudo produzido atualmente seria fruto direto daquilo que
foi feito no passado, e que nas
manifestações clássicas – não necessariamente antigas - prevalecem qualidades e
uma sinceridade cada vez mais raras de se encontrar.
É simples: por existir dificuldades muito maior de se rodar um filme
antigamente, os recursos humanos usados eram extremamente pré-selecionados. Se
não houvessem grandes atores, guiados por um grande diretor apoiado em um
grande roteiro, os filmes viravam areia. Não contavam com a tecnologia mágica
que existe hoje, capaz de criar personagens ou de transformar um filme que há
cinqüenta anos atrás seria lixo em um deleite para os olhos. O filtro era muito
mais rigoroso. Se Hitchcock pudesse ter filmado “Missão Impossível 2” – que
aliás é descaradamente inspirado em seu “Interlúdio” – daria para entender
melhor tal opinião. Ou se Monk, Parker, Coltrane e Dizzy ainda estivessem vivos
para mostrar ao mundo o que é jazz na mais pura acepção: improvisos celestiais,
pureza e sinceridade de uma ciência oculta que derrubou todas as convenções e
influenciou esta ação em outras artes, alma transformada em música, gravada ao
vivo e sem interrupções, efeitos sonoros ou maneirismos técnicos. Tudo resumido
em qualidade humana pura, por onde a arte encontra o seu caminho mais criativo
e original. O resto é enfeite ou armação da indústria para fazer mais e mais
grana.
Portanto, no cinema, na literatura ou na música, os clássicos são o maiores motores de inspiração criativa aos novos trabalhos. Convencido disto e mudando a abordagem do que deveria ser visto, não houve mais dia em que saísse de uma locadora com as mãos abanando, sempre uma grande surpresa e uma aula de cinema a cada filme.
Com os clássicos, aprendemos a detectar o estilo dos grandes diretores, nos encantamos pelo cinema mudo, pelo cinema de autor, pelas grandes idéias e pela evolução das técnicas de filmagem, que devem ser observadas dentro do contexto da época de cada obra. É vibrante acompanhar a revolução conduzida pelos grandes diretores, os principais culpados pela estética cinematográfica moderna, e uma eterna fonte de aprendizado para todas as gerações que amam, fazem ou venham a fazer cinema.
Aqui vai, humildemente, uma listinha mezzo cronológica, mezzo autoral, de grandes filmes que, antigos ou recentes, se tornaram clássicos para mim. Por ser muita coisa, resolvi dividir em duas partes: Antes da metade dos anos 60 e após esse período. Desde já peço desculpas aos cinéfilos de plantão, provavelmente muita coisa boa vai ficar de fora.
Comecemos pelas fontes principais do que conhecemos por cinema americano:
DAVID WARK GRIFFITH: Diretor de centenas de filmes desde o início do século, este homem multimídia (produtor, roteirista, ator, compositor e editor) foi quem traçou o estilo americano de filmar, repleto de ações, tornando-se o principal responsável pelo sucesso mundial do cinema dos EUA, e talvez o homem que melhor descobriu, ao lado de Chaplin, como alcançar o inconsciente coletivo em escala universal.
“O nascimento de uma Nação”(1915), o primeiro filme a contar uma história. Juntamente com “Kane”, de Welles, trouxe o maior número de inovações já vistas em uma só produção, inventando uma espécie de gramática para o cinema americano, com formas que são obedecidas até hoje (closes, enquadramentos, duração e dinâmica da narrativa, figurações gigantescas), traz a idéia como a guerra civil divide pessoas queridas e focaliza, sob uma ótica um tanto racista, a população negra do Sul da América (a KKK como responsável pela restauração do Sul pós-guerra). Dispensando o conteúdo político, que é um lixo, temos uma aula de como comover grandes audiências, no que o rapaz foi mestre como poucos.
“Intolerância”(1916), uma superprodução à época, onde pela primeira vez se viu uma história contada com elipses temporais. Trata da dramatização do poema de Walt Whitman, sobre o mal que a humanidade sofre através dos tempos, e explora a agonia trazida pelo sentimento que dá nome ao filme, retratando quatro diferentes épocas da história: 1900 na América, 1500 na França, o ano vinte D.C. na Palestina e o ano 3000 AC. na Babilônia. Em comum, os contos têm a maldade e a exploração das pessoas simples e de bem pelos poderosos. Um dos maiores filmes americanos já rodados, e ainda hoje pouco reconhecido pelo grande público, por ser de difícil degustação, denso e mórbido até para os padrões atuais. Indispensável para quem estuda cinema.
CHARLES CHAPLIN: dispensa qualquer tipo de apresentação, o mestre do cinema mudo que lutou por esta ideologia até o fim. Escolher uma ou duas obras dele é covardia, mas aí vai.
“Em busca do ouro”(1925). Esse é um dos filmes de Chaplin, com “Luzes da cidade”(1931), que mais me comovem até hoje. Narra a fábula de um pobretão saindo em busca da terra prometida, certamente uma alusão à corrida para o oeste americano no início da brutal colonização. Seqüências inesquecíveis que todo mundo já viu, mesmo que não tenha assistido ao filme. Também essencial “O grande Ditador”, de 1940, uma sátira ao nazismo.
ALFRED HITCHCOCK: Outro mestre que não necessita ser introduzido. Um dos diretores mais prolíficos da história, sua filmografia é tão vasta quanto irregular. Recomendável é o livro que François Truffaut escreveu sobre a obra completa do velho Hitch, que em uma entrevista um ano antes de sua morte revelou todos os seus segredos de filmagem. Já foi dito que ele filmava cenas de terror como se fossem de amor, e vice-versa. Algumas pérolas do mestre criador do suspense, tão homenageado e plagiado até hoje, que combinou como ninguém cinematografia, edição e música para causar as mais díspares e fortes emoções às audiências:
“Os 39 degraus”(1935), talvez a primeira obra-prima do diretor, o filme em que ele acertou a mão e criou um estilo inconfundível e inimitável;.
“Janela Indiscreta”(1954);
“Intriga Internacional”(1955); famoso por desvendar um dos maneirismos de Hitch, os planos de cima para baixo sempre que a trama sofre uma reviravolta.
“Um corpo que cai”(1958);
“Psicose”(1960); um clássico que nos mostra o quanto vale a mão de um gênio. Foi refilmado recentemente por Gus Van Sant, deixando a desejar horrores ao original;
“Os Pássaros”(1963).
Mais ou menos na mesma época, na Europa dividida...
SERGEI EISENSTEIN: a maior expressão do cinema russo no início do século, traduziu em suas obras elementos de edição e imagem estarrecedores para a época.
“O Encouraçado Potemkin”(1925), um manifesto a favor do proletariado e contra a aristocracia, tornou-se seu filme mais famoso, aclamado pela crítica mundial. Altamente detalhista, é um filme para se ver muitas vezes, e cada tomada traz implícita grandes cargas de significado político. A história inicia-se com a revolta de marinheiros quando lhes é servida carne podre. Trabalhando com atores amadores na maioria, é na edição e na fotografia que Eisenstein se mostra muito à frente de seu tempo. A seqüência das escadarias de Odessa, em que populares são massacrados por tropas do governo é marcante o suficiente para que nunca seja esquecida, e foi homenageada pelo “ladrão” Brian dePalma em “Os intocáveis”(1987) .
“Outubro”(1927) narra a história dos dez dias que chocaram o mundo durante a revolução bolchevique de 1917, baseado no livro do jornalista John Reed. Até aquele ano não se produziam filmes como esse, um passo a frente na montagem única de Eisenstein. Nem as superproduções de D.W. Griffith chegavam a esse nível de realidade, com batalhas envolvendo milhares de figurantes e planos nunca antes arriscados. Ninguém pode afirmar ao certo o quanto era difícil ou quanto custou fazer um filme como esse em 1927. Com orçamento gigantesco, bancado pelo governo russo, esse épico nos mostra o quanto Hollywood era apenas um lugar que esperava os filmes europeus e russos para aprender a fazer cinema de qualidade, apesar das dificuldades técnicas da época.
FRITZ LANG: Marco maior do expressionismo, criador de pérolas do cinema mudo e maior influência do chamado “Cinema de Autor” alemão, que teve entre seus maiores expoentes nomes do calibre de Werner Herzog, Fassbinder e Win Wenders.
“M. o vampiro de Dusseldörf”(1931), uma ode sinistra e discreta à pedofilia que tem uma trilha sonora das mais chicletudas já compostas, com uma trama envolvente e uma excelente direção de atores, marca característica de sua obra.
“Metropolis”(1927), a primeira ficção científica do cinema, montada toda em maquetes, com fotografia e efeitos visuais chocantes até hoje, foi uma das primeiras obras onde o cinema trabalhou ao lado do design (a robô maravilhosa, fonte de inspiração para o R2-D2 de Guerra nas Estrelas) , voltando as atenções para a direção de arte, que dá ao filme um impressionante frescor ainda hoje. Discorre sobre o drama de trabalhadores que são escravizados e separados dos “pensadores” em um futuro distante. O enredo politizado e visionário explorando a desigualdade de classes pode ser visto como fonte de inspiração para obras literárias sobre o futuro negro da humanidade, como ”1984” de George Orwell e “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley. O final feliz foi criticado pelo próprio diretor, que o julgava “irreal”.
VITTORIO
De SICA, o mestre italiano do neorealismo, talvez o maior diretor de atores da
história.
“Ladrões de bicicleta”(1947), um dos filmes mais comoventes do século. Destaque para a atuação dos personagens principais, atores amadores brilhantemente conduzidos pelo mestre de Sica. A sequência que mostra o garotinho de um lado da rua com a bicicleta, e seu pai, o desempregado Ricci do outro, encarando-o, é de encher os olhos.
Voltando aos EUA, fim dos trinta e décadas de quarenta e cinquenta...
“Mr. Smith goes to Washington”(1939). Essa obra-prima realista de FRANK CAPRA denuncia a corrupção política pela primeira vez no cinema. Narra a trajetória de um indicado ao Senado Americano (James Stewart, brilhante) que tem que lutar contra as armadilhas do poder corrompido. Idéias provocativas, mitológico argumento Ideal versus Poder, um romance platônico e uma grande trama. Ter esquecido este grande filme ao premiar “...E o vento levou” com todas as indicações pode ser considerada uma das grandes injustiças da história do Oscar, em 39 .
ORSON
WELLES, um gênio precoce e prolífico, pintor, mágico e músico, começou sua
carreira no rádio – causando uma das maiores histerias coletivas já vistas nos
EUA ao simular uma invasão extraterrestre em NY -, e atingiu seu auge aos vinte
e cinco anos, com aquele que é considerado pela maioria dos críticos o melhor
filme de todos os tempos...
“Cidadão Kane”(1941). O filme que dividiu duas eras no cinema é uma daquelas obras que se renovam a cada exibição. Inovações como narrativa documental em flashback, planos totalmente inacreditáveis e um grande roteiro co-escrito pelo injustiçado Herman J. Mankiewicz narram a trajetória de Charles Foster Kane, personagem inspirado no magnata da comunicação William Randolph Hearst que, apesar de possuir todo o poder que o dinheiro pode comprar - e vice-versa -, vive uma paradoxal busca pela felicidade que, no momento de sua morte, se resume a um singelo objeto: “Rosebud”, a única coisa que realmente importa, representa a perdida inocência da infância de um homem em constante busca pela paz em meio a um império de materialismo e falsidade. Brilhantemente conduzido, o simbolismo e o detalhismo usados por Welles redimensionam o filme a cada vez que é visto, mantendo, depois de sessenta anos, uma contemporaneidade que é prova da sua influência para a formação do cinema moderno. Para mim, um dos três melhores filmes já concebidos na história.
“A Marca da Maldade”(1958).
Essa obra-prima noir, obscura, de
fotografia antológica e sombria por Russell Metty, também estrelada por Welles
- excelente ao lado da estonteante Marlene Dietrich – tem como principal
atração o início do filme. Em plano-sequência (sem cortes), numa tomada
contínua durante a primeira meia hora do filme, é “O” filme para absorver a
essência do estilo inconfundível deste grande diretor. Com música notável de
Henry Mancini. Genial.
DAVID LEAN. Diretor das melhores pérolas do que hoje se
entende por cinema-entretenimento; fica difícil citar apenas uma de suas obras:
“Great
Expectations”(1946), baseado no clássico romântico de Charles
Dickens, refilmado recentemente; “A Ponte do Rio Kwai”(1957); “Lawrence da Arábia”(1962) e “Dr. Jivago”(1965) são artigos de
primeira necessidade pra quem acha que filmes antigos são apenas velharias sem
graça.
BILLY
WILDER, o judeu sacana que incorporou hollywood para explorá-la magistralmente,
foi, além de escritor e diretor, um dos melhores adaptadores de peças para o
cinema. É autor de vários clássicos, como “O
Apartamento”(1960), divertida comédia com Jack Lemmon, e “Sabrina”(1954), com Bogart e Hepburn.
“Sunset Boulevard”(1950). Em uma
década em que a indústria hollywoodiana voltava-se totalmente para o lucro dos
filmes e para a mitificação de suas estrelas, poços de rentabilidade à época,
Wilder aparece dirigindo este brilhante filme repleto de humor negro sobre o
quanto Hollywood é uma cidade de mentira, cheia de pessoas falsas e
mal-intencionadas. Pode ser considerado o pai dos filmes que desmascaram as
facetas dos ideais americanos de perfeição, e foi a primeira vez em que alguns
atores atuaram como eles mesmos (Buster Keaton, Cecil B. de Mille e outros),
inspirando filmes do nível de “O Jogador”,de Robert Altman, e “Get Shorty”, de
Barry Sonnenfeld. Mostra de forma cáustica as armadilhas usadas para alcançar a
notoriedade na competitiva Terra dos Sonhos. Imperdível.
“Testemunha de Acusação”(1957), adaptação da peça de Agatha
Christie. Neste século, uma das melhores atuações de todo o elenco em um filme,
se passa durante o julgamento de um acusado por assassinato. Sir Charles
Laughton, para muitos o maior ator de todos os tempos, está soberbo. Reza a
lenda que na cena final do julgamento ele apresentou a Wilder mais de quinze
maneiras – todas impecáveis – de como se atuar naquele momento. Uma obra-prima
que prova o quanto vale o talento para um grande filme de baixo orçamento. Com
um final totalmente inesperado, veja e babe.
Enquanto
isso, em outras praias...
AKIRA
KUROSAWA, por muitos considerado o maior diretor que já viveu, tem uma obra tão
extensa quanto fascinante. Recomendo todos os seus filmes, repletos de um
lirismo inéditos na cultura ocidental. Foi pintor antes de se tornar um criador
de pinturas em movimento, e fazia o storyboard
em escala natural de cada cena em suas obras. Curiosamente, foi sempre melhor
aceito no Ocidente que no Japão, onde os críticos não viam com bons olhos as
suas adaptações de Sheakspeare e Dostoievski às telas.
“Os Sete
Samurais”(1954). Este clássico épico reúne todas as melhores
atitudes já registradas em película (ação, emoção, honra, violência, técnica,
poder e poesia), e inspirou o mais famoso filme de faroeste ( Sete Homens e um
Destino) dos EUA. Filmes como esse aparecem a cada vinte anos, e olhe
lá.Voltaremos a ele mais à frente.
INGMAR
BERGMAN. Diretor sueco controverso por seu estilo subjetivo de filmar, acertou
a mão várias vezes e nos brindou com filmes belíssimos, como “Morangos Silvestres”
e “O Sétimo Selo”(1957),
e “O ovo da
Serpente”(1970). O ponto vital de sua obra é a reflexão que nos traz
acerca da existência de Deus, da vida e morte, e do próprio fim do Cinema em si
como instrumento de mudança pessoal. Devido à força de seu estilo, é um diretor
para se amar ou se odiar.
FREDERICO
FELLINI, o mestre italiano do cinema “artístico”. Pela disparidade e
importância de seus filmes, por ora falemos apenas de sua obra-prima nos anos
60,
“La Dolce vita”(1960) é um colírio
para os olhos em todos os sentidos: fotografia, atuação, luz, direção e
roteiro. Conta a história de sete dias na vida de um repórter(Mastroianni) que
explora as celebridades para vender as notícias a jornais sensacionalistas -
foi daqui que surgiu a expressão paparazzi -, resumindo toda a
banalidade que assola a mídia neste fim de século. Fellini expõe magistralmente
toda a fragilidade do tédio presente nas notícias e em quem as consome. Filmaço
que expõe a hipocrisia nas relações entre a Igreja Católica e o Estado Italiano
e a estrutura de classes da sociedade romana no pós-guerra.
Back
again to the States...
ELIA
KAZAN. Este turco naturalizado americano foi fortemente renegado pela
comunidade artística dos EUA por ter delatado artistas que teriam contribuído
com atividades pró-comunistas na época do macarthismo. A sua obra, no entanto,
está acima de suas posições políticas. Em 1947, criou, com Cheryl Crawford, o
“Actor’s Studio”, que formaria importantes nomes de Hollywood, como Marlon
Brando e Montgomery Clift.
“Um Bonde chamado Desejo”(1951). Após encenar a grande peça de
Tenesse Williams na Broadway nos anos 40, transpôs com maestria o enredo para o
cinema, com Marlon Brando no papel de Kowalski e Vivien Leigh como Blanche.
Grande romance adaptado da peça daquele que, ao lado de Bertolt Brecht, foi o
maior autor teatral deste século.
“Sindicato de ladrões”(1954) foi
filmado para justificar e defender as ações pessoais do diretor, envolto em
acusações de traição. Por isso, tornou-se um filme único, filmado com extrema
paixão - o que valeu a Kazan o segundo Oscar de melhor direção, depois de “A
Luz é para Todos”(1948) - e espetacularmente atuado por Brando, vencedor do
Oscar de 54, que no papel do ex-boxeador Terry Malloy nos brinda com momentos
inesquecíveis, como a cena em que discute com seu irmão dentro de um carro
sobre denunciar ou não a corrupção do Sindicato. Música divina pelo grande
Leonard Bernstein.
STANLEY
KUBRICK. Também conhecido por “Deus”. Dispensa apresentações, até porque
estaremos revisitando seu nome nas décadas seguintes.
“Paths of Glory”(1957), o terceiro
filme de Kubrick já nos mostrava a verve particular de um gênio estilista das
grandes telas, que criou uma forma inconfundível de cinema. Narra a história de
uma das batalhas mais sangrentas da Segunda Guerra e o posterior julgamento do
batalhão comandado pelo Coronel Dax (Kirk Douglas), acusado de covardia. As
cenas de guerra são totalmente realistas e impressionam até hoje. Antes deste
filme o diretor já havia lançado duas bombas: “The
Killing”(1956), de onde Tarantino bebeu a cronologia não-linear da
narrativa, e “Killer’s Kiss”(1955), filme
noir de baixo custo que projetou
Kubrick para as grandes produções.
“Dr.Fantástico ou: Como Aprendi a Parar de me Preocupar
e Amar a Bomba”(1964).
O diretor teve a espirituosidade de explorar o tema em um período de total
paranóia nuclear – a crise dos mísseis cubanos foi na mesma época -, rodando
uma das melhores comédias de todos os tempos. Expõe de maneira sarcástica e
hilária a incompetência dos governantes das grandes potências. Um general
“mucho loco” resolve fechar sua base e mandar mísseis nucleares de presente
para os “comunas”, o que ativará a máquina da destruição humana, montada pelo
Dr. Fantástico. O Presidente dos EUA é um cagão sem voz de comando, o premier russo está bêbado de vodka
quando recebe a notícia e Peter Sellers está na melhor fase e em seu melhor
papel na pele do Dr Fantástico, um cientista Alemão que tem um braço nazista
fora de controle. Impagável!
Até
mais, moçada.
Rodrigo Coelho é Escritor, Editor de Conteúdo do site cerberus.com.br e Músico na banda Jorge Cabeleira.
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