OLHAR PERDIDO

 

Olho no horizonte

Finjo que vejo

Finjo que sinto

Olho  sim, num instante...

Mas é claro, nada vejo.

Imagino que sou cego

Uso minha imaginação, então...

Imagino que vejo

Mas sei, que no fundo...

Eu é que estou distante.

Talvez se chegar mais perto

Chego... Mas nada... Simples assim.

Então sem ver nada, me calo...

Com os olhos, com a mente...

E sem pesar com o coração.

Sei que não sou cego,

Sei que não estou louco

Sei que o que tenho

Não se trata com cama ou remédios

Sei que minha cegueira é passageira;

Talvez uma vida inteira,

Talvez em um único instante.

Sou um anjo, um daqueles sem asas...

Sou também corrupto, pois sei...

Que num mundo como esse

Não o mais forte, mas o mais adaptável sobrevive...

E tudo isso num instante.

É demais para mim

Acho que na verdade não vejo

Porque nesse instante

Estou vendado, velado por uma cisma...

Já, sei!

Não são meus olhos, mas meu coração,

Sim, eles é que estão cegos, absorvidos,

Por paixão. 

 

Azrael Del Madri

 

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